Maria Ivone Vairinho e Poetas Amigos

Abril 01 2010

 

UNIDA À DOR DO CRISTO

Em *Sexta-feira Santa*

Carmo Vasconcelos

 

 

Só me restava, em lágrimas, orar...

Prostrada a um canto, ouvir o despudor

Dos ímpios que, em sarcasmo, o Redentor

Arrastavam, sem dó, a crucificar!

 

Eram tormentos Seus o meu martírio,

Contra os algozes, minha vã revolta!

E, na vontade de os matar, à solta,

Pecava também eu nesse delírio!

 

Da carne viva em chaga, era o meu sangue

Que emergia; e aos do Cristo equalizados,

Eram meus pés e mãos os perfurados!

 

Ante a Virgem que olhava o Filho exangue,

Morrer com Ele, era a ânsia que eu sentia...

Ignorando a ALELUIA que adviria!

 

***

Lisboa/Portugal

10/Abril/2009

In E-Book “Sonetos Escolhidos III”

http://carmovasconcelos.spaces.live.com

publicado por Carmo Vasconcelos às 21:28
editado por appoetas em 02/04/2010 às 06:15

Abril 01 2010

 

 

IMITAÇÃO DE CRISTO

Carmo Vasconcelos

 

 

Meu grande amor elevo ao altar fraternal,

Onde o sentir ajoelha, humilde e despojado,

Entre círios ardentes de eterno cuidado

E casta oração, nua de apelo carnal.

 

 Transitório é esse outro amor terreno,

Quase sempre eivado de monstros de castigos

Que esgrimam pela posse, em ciúmes inimigos,

Em negação do divino e vero amor pleno.

 

 Orando dou graças por ti, irmão amado,

Pela tua gloriosa e digna ascensão,

Sem que na mente albergue diferente ambição,

Que não seja a de ver-te em paz harmonizado.

 

 Amor puro que tudo oferece e nada exige,

À semelhança do Deus-Pai que nada pede

Pla Natureza que criou e nos concede

Para que nela cada ser se regozije.

 

 Foi essa a missão que o Criador me reservou:

Amar-te em regozijo apenas porque existes,

Sabendo-te um irmão no ideal em que persistes

De amar ao próximo como Jesus amou!

 

***

 Lisboa/Portugal

Agosto/2008

http://carmovasconcelos.spaces.live.com

 

publicado por Carmo Vasconcelos às 20:42
editado por appoetas em 02/04/2010 às 06:18

Abril 01 2010
JOAQUIM EVÓNIO, associado da APP, Homem de Cultura e BRILHANTE COMUNICADOR, vai estar no Palácio Galveias, no dia 6 de Abril, às 19h30.
NÃO FALTE!
  
Conto de JOAQUIM EVÓNIO, do livro "SOMBRA DE CLAVE DE SOL" (2.ª edição) , apresentado no dia 27 de Março de 2010, na Biblioteca Fernando Piteira Santos, na Amadora, com a presença do Dr. António Moreira, Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Amadora e da Dra. Cecília Neves, Directora da Biblioteca.
  

 

 

SUICÍDIO
 Já tinha a pistola apontada ao meu cérebro vazio. Eram quatro horas da madrugada e a vigília fazia‑me cerrar os olhos fatigados.

O dia anterior não tinha corrido nem melhor nem pior do que os outros. A única diferença era esta espécie de chamamento para a grande viagem, corte definitivo com a rotina e a banalidade dos acontecimentos quotidianos, ainda mais insuportáveis quando orquestrados, de forma doentia e hiperbólica, pela rádio e pela televisão.

A ideia de Deus, ou de religião, não tinha lugar em qualquer escaninho dos meus sentimentos ou pensamentos. Aliás, o que me ocorria com mais frequência era que o Homem, a certa altura da sua presença na Terra, cansado de pensar, inventara Deus, tradução antropomórfica da incapacidade que sentia por não compreender os fenómenos naturais, às vezes assustadores, que se lhe deparavam. Essa crença multiplicara‑se de forma diversificada e até divergente, acentuando a falta de confiança em si próprio e apelando para uma entidade superior capaz de alterar o rumo dos acontecimentos para satisfazer os seus pequenos e grandes egoísmos.

Era precisamente contra esse tipo de superstição que me considerava vacinado. Sabia não existir essa capacidade, ou possibilidade, e que nada podia haver para além da vida terrena em que vegetava.. Já o verificara pessoalmente, durante várias anestesias gerais ou através de profunda e lúcida meditação. Como uma vez me confessara um amigo a lucidez é inimiga da felicidade. E do outro lado da cortina, aquele que a nossa razão ainda não consegue abarcar devido à sua insuficiência actual, há apenas uma grande tranquilidade, ausência leve como um sonho bom.

Pensei em várias formas alternativas de transitar do efémero para o repouso perpétuo. A História e os noticiários estavam cheios dos mais caprichosos exemplos, do veneno ao enforcamento, da simples injecção à inalação breve do deletério monóxido de carbono.

Nenhuma delas, no entanto, se coadunava com a expressão viril da minha suposta personalidade. Morrer, sim, mas salvaguardando a dignidade da memória. O modus faciendi tinha de implicar uma arma de fogo. E ali estava ela à mão de semear, pronta a funcionar no silêncio da noite calma e fagueira da Primavera precoce e cheia de promessas para quem por aqui ficasse.

A retrospectiva da minha vida era um filme vertiginoso a rodar em tresloucado écran de computador e as ideias brotavam com uma velocidade de que só o pensamento era capaz. Dentre todas, uma surgiu que cintilou em zoom e me fez pousar a pistola, acendendo calmamente um cigarro retemperador: mas que mal me fizeram os vizinhos para os acordar a uma hora destas?

 

Joaquim Evónio

 

 

  
  
(colocado por Maria Ivone Vairinho)
publicado por appoetas às 20:33

Abril 01 2010

Temático

 

Mote

 

"Naquele "pic-nic" de burguesas,

Houve uma coisa simplesmente bela,

E que, sem ter história nem grandezas,

Em todo o caso dava uma aguarela."

 

Glosa

 

...E sobre a relva a toalha bordada,

Com teu ponto de cruz de rara beleza,

Sobre a qual a merenda espalhada,

Naquele "pic-nic" de burguesas.

 

Num ambiente de vida campestre,

Convívio simples de gente singela,

Na Natureza de flores silvestres,

Houve uma coisa simplesmente bela.

 

O teu ramo de vermelhas papoilas,

Realçando mais as tuas belezas,

Entre o grupo de Formosas moçoilas,

E que, sem ter história nem grandezas 

 

Num colorido mui policromado,

Merecendo ser passado p'ra tela

De um qualquer pintor, artista afamado

Em todo o caso dava uma aguarela.

 

,

publicado por mariaivonevairinho às 20:16

Abril 01 2010

Temático

 

MOTE

 

"   Empunhasse eu a espada dos valentes!

Impelisse-me a acção, embriagado,

Por esses campos onde a Morte e o Fado

Dão a lei aos reis trémulos e às gentes!"

 

GLOSA

 

Empunhasse eu a espada dos valentes

Como se fora um "cavaleiro andante",

Qual D. Quixote sonhador...brilhante!

P'ra combater de forma consciente.

 

O mal que grassa, crescendo a esmo...

Impelisse-me a acção embriagado,

Pela vontade dum ser apaixonado

Por um ideal subtil, em si mesmo...

 

Cavalgando veloz em meu corcel,

Levitando ligeiro, porque alado...

Por esses campos onde a Morte e o Fado,

Dando lugar a doces rios de mel...

 

 

E tudo neste mundo seria tão diferente,

Num cenário idílico de verdade,

Onde a Paz entre os Homens e a Amizade,

Dão a lei aos reis trémulos e às gentes...

publicado por mariaivonevairinho às 20:04

Abril 01 2010

Temático

 

Mote

 

"Empunhasse eu a espada dos valentes!

Impelisse-me a acção, embriagado,

Por esses campos onde a Morte e o Fado

Dão a lei aos reis trémulos e às gentes."

 

Glosa

 

Ganhasse eu as forças desceria ao inferno

Neste desassossego em mim eterno

Empunhasse eu a espada dos valentes!

Não andaria perdida entre os dementes 

 

Amor que vives assim tão amargurado

Impelisse-me a acção, embriagado,

Tu, no perfume deste trágico amor

Seguirás em constante e pungente dor

 

Abrindo alas e semeando amargura

Por esses campos onde a Morte e o Fado

Caminhando radiosos lado a lado

 

Serão dessa tortura conducentes

E cerrando as vozes a cadeado

Dão a lei aos reis trémulos e às gentes

publicado por mariaivonevairinho às 19:59

Abril 01 2010
Seja por lembrança de todos...

Que a Páscoa é um sinal de Ressurreição!

Aos crentes e não crentes,

Sem palco os maldizentes...

Por tradição festejam as famílias;

E sempre esquecem as suas quezílias...

Enfeitam a sua mesa festiva...

Lá vão comendo e bebendo,

Comungando a referida Páscoa.

Por tradição...

Com ou sem idolatria!?

São rostos espelhados, com alegria.

Jesus demonstrou aos seus discípulos

Antes de sua ascensão aos céus

Franqueou a sua humildade...

Purificando...

Lavando os pés dos seus discípulos.

Esta lição foi ilustrada e marcada noutros

Tempos...

Hoje...

Interrogue-se na humildade?!...

... Lavai os pés uns dos outros.

 

Pinhal Dias 

 

www.osconfradesdapoesia.com

 

 

publicado por mariaivonevairinho às 19:35

Abril 01 2010

imagem tirada da net

 

O Príncipe Guilherme Ching


Veio um Príncipe Africano com rasgos de Oriente,
misturar em olhos d´água um Europeu emigrante;

 

Marinheiro Português da Ericeira emergente
encontrou em Moçambique colo, mar e terra quente…

 

Outro ramo mais longínquo, da Ásia proveniente;
trouxe o peso do Império, desde a China ao Ocidente,
rumou seus olhos rasgados em escuna transparente:

 

E África germinou com genes de vária gente!

 

Um dia aqui acostou senhor de três Continentes:
Oceanos todos juntos, selvas, rios, marés quentes;


Porque o êxodo e o acaso empurram e movem crentes.

Neste pacato canteiro com defeitos, mas presente;
um Portugal pequenino com mais braços do que mente,
surge um amor Lusitano, numa flor correspondente...

 

Deslocados entre o Norte e o Centro aqui presente:
Vieram Lobos da Costa; Elias da Ericeira; Ching’s
da Ásia distante e Africanos Luzeiros.

 

Não sei a cor que me espera, se é opala ou diamante?
Se tem cabelos frisados, ou lisos ou espetados
fartos, fracos ou  brilhantes?


Mas sei que é um menino d’ouro  o meu Gui, só porque é gente!

 

E traz no mundo com ele; sangue de três continentes
E na mente um mundo livre duma beleza diferente!...

 

dos frutos que Luther King semeou junto com Gandhi.

 

31/03/2010
Mavilde Lobo Costa

 

 

 
 
 

publicado por carmemzita às 18:45

Abril 01 2010

Tenho alma de papoila...

Mal se toca, mal se agita,

Caem-lhe as pétalas todas

E fica morta, despida...

 

Outras vezes, a papoila,

Só por força do dever,

Transforma-se em rocha dura,

Resiste à dor, à tortura,

Nada a pode demover...

 

Mas, rocha bruta ou papoila,

No palco fica a mulher;

Eu, metamorfoseada

Em anjo ou alma penada,

Ora papoila, ora fraga,

Conforme vos convier...

 

 

Maria João Brito de Sousa, Oeiras

publicado por Maria João Brito de Sousa às 09:00

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